Marinha Mercante aprova R$ 1,1 bilhão para projeto da Imetame em Aracruz
Projeto da Imetame com a Hanseatic Global Terminals responde por quase metade dos R$ 2,29 bilhões aprovados para 55 obras na região; terminal terá 750 metros de cais e 17 metros de profundidade
O novo porto que está sendo erguido em Aracruz, no litoral norte do Espírito Santo, se firma com um dos principais projetos do litoral brasileiro. E, agora com a chancela de concentrar sozinho a maior parte do financiamento disponibilizado para o Sudeste pela Marinha Mercante. Para explicar: o projeto de Aracruz foi o que recebeu o maior volume de recursos na 64ª reunião do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM), realizada no início de outubro.
Ou seja: o empreendimento Hanseatic Global Terminals Aracruz foi aprovado com R$ 1,119 bilhão, valor que representa quase metade dos R$ 2,29 bilhões destinados às 55 obras do Sudeste.
O restante da região — que reúne projetos no Rio de Janeiro e em São Paulo — ficou com cerca de R$ 1,17 bilhão. Aracruz, sozinha, liderou os valores liberados concorrendo com os gigantes e mais tradicionais berços portuários do país e do continente.
Aqui vale lembrar que o projeto, que muitos ainda têm o hábito de chamar de porto da Imetame, é a Hanseatic Global Terminals Aracruz S.A. é uma joint venture (parceria estratégica) formada pelo grupo capixaba Imetame e a Hanseatic Global Terminals (subsidiária da armadora Hapag-Lloyd).
A estrutura no mar capixaba prevê 750 metros de cais e profundidade de 17 metros no canal de acesso, nos berços e na bacia de manobra. O terminal foi projetado para receber navios porta-contêineres de até 366 metros de comprimento. A proposta informa 243 empregos diretos e prazo de execução de 18 meses.
O volume aprovado para Aracruz supera, sozinho, a soma dos demais projetos capixabas e coloca o Espírito Santo no centro da carteira de infraestrutura portuária aprovada pelo fundo no Sudeste.
O que é o Fundo?
O Fundo da Marinha Mercante é o mecanismo que aprovou a carteira de construção, manutenção e modernização naval, além de obras de infraestrutura portuária. No Sudeste, a lista reúne 55 obras e prevê 1.700 empregos diretos. As iniciativas atendem a demandas do transporte ligado à celulose, à movimentação portuária e às operações de petróleo e gás.
O peso do projeto capixaba fica evidente na comparação. Dos R$ 2,29 bilhões aprovados para o Sudeste, R$ 1,119 bilhão está concentrado em Aracruz. Os outros R$ 1,171 bilhão se distribuem entre 54 obras no Rio de Janeiro e em São Paulo. No Rio, 15 projetos somam R$ 1,02 bilhão, com destaque para a modernização do Estaleiro Aliança, em Niterói, orçada em R$ 288,9 milhões. A intervenção prevê dragagem, expansão dos cais, instalação de equipamentos e adequação de áreas operacionais e administrativas, com 345 empregos diretos e prazo de 24 meses.
Ainda no Rio, dois projetos da Commodore Marine somam R$ 532,3 milhões. São R$ 229,4 milhões para a modernização do navio-sonda Carolina e R$ 302,9 milhões para a unidade semissubmersível de perfuração Victoria. As unidades serão preparadas para contratos com a Petrobras, com atividades previstas na Baía de Guanabara. A GranEnergia teve aprovados R$ 104,5 milhões para docagem, reparos e manutenção da CSS Venus. A Camorim contará com R$ 11 milhões para manutenção, reparo e docagem de quatro embarcações. Três projetos da OceanPact somam R$ 81,9 milhões e abrangem seis embarcações.
Em São Paulo, foram aprovados R$ 155,8 milhões para a construção de 40 barcaças da MSFC Florestal. A produção será feita na unidade do estaleiro Rio Maguari em Araçatuba, com estimativa de 66 empregos diretos e prazo de 20 meses. Cada barcaça terá porões com volume de 2.406 metros cúbicos e integrará comboios formados por um empurrador e quatro barcaças. O conjunto será usado no suprimento parcial de madeira para a fábrica de celulose da Bracell no estado.
