Agressão, morte, perseguição: uma mulher sofre violência no ES a cada 27 minutos
O tempo necessário para preparar um café, ouvir algumas músicas ou enfrentar um pequeno congestionamento é o mesmo intervalo em que uma mulher é vítima de violência no Espírito Santo. Em média, a cada 27 minutos, um novo caso é registrado pelas forças de segurança do Estado.
O dado levantado a partir do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que, mesmo 20 anos depois da sanção da Lei Maria da Penha, o combate às violências doméstica e de gênero são desafios ainda muito longe de serem sanados.
Ao longo de 2025, o Estado capixaba registrou cerca de 19 mil ocorrências de ameaça, lesão corporal em contexto de violência doméstica, perseguição (stalking), violência psicológica e feminicídio, média de aproximadamente 52 casos por dia.
Entre todas as ocorrências analisadas, o crime de ameaça continua sendo o mais frequente. Foram 14.673 registros em 2025, o equivalente a cerca de 40 casos por dia, ou um a cada 36 minutos. O volume representa aproximadamente oito em cada dez registros entre os crimes analisados.
Para a chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher (DIV-Deam), delegada Cláudia Dematté, a violência doméstica é resultado de uma cultura machista.
"Infelizmente, a violência doméstica e familiar contra a mulher é uma realidade que ainda está presente em nossa sociedade e decorre de uma cultura machista e patriarcal historicamente enraizada. A violência contra a mulher não escolhe idade, classe social ou condição econômica", afirma.
A delegada destaca que ampliar o acesso à informação, fortalecer a rede de proteção e incentivar as denúncias são medidas fundamentais para romper o ciclo da violência.
