Golpe do ‘Limpa Nome’ esconde R$ 76 milhões em dívidas e acende alerta no Espírito Santo
Um esquema de alcance nacional que cria uma “falsa aparência de bom pagador” ligou o sinal de alerta no mercado econômico do Espírito Santo. Mais de R$ 76,8 milhões em dívidas ativas simplesmente desapareceram das consultas públicas de crédito no Estado, beneficiando centenas de devedores e deixando pelo menos 450 credores capixabas no prejuízo.
O levantamento, realizado pelos Cartórios de Protesto, revela que 3.507 protestos foram ocultados das bases de dados utilizadas por bancos, comércio e fornecedores no ES. Na prática, a dívida continua existindo legalmente no cartório, mas fica “invisível” nas plataformas de análise de risco, induzindo empresas a concederem novos créditos para quem já está inadimplente.
Como funciona o esquema que esconde as dívidas?
O fenômeno, que já ocultou impressionantes R$ 130 bilhões em débitos por todo o Brasil, ganhou força nos últimos cinco anos através de manobras que retiram temporariamente os protestos das telas de consulta.
O truque: O protesto permanece ativo e válido no Cartório de origem, mas some dos sistemas nacionais de proteção ao crédito.
A consequência: Cria-se uma adimplência artificial. O devedor consegue fazer novos financiamentos, compras a prazo e contratar serviços como se estivesse com o “nome limpo”.
O rombo nacional: Dos R$ 130 bilhões ocultados no país, R$ 20,8 bilhões correspondem a créditos públicos, afetando diretamente os cofres de estados, municípios e da União.
CNJ aperta o cerco contra a fraude
O crescimento alarmante do “Golpe do Limpa Nome” fez o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) intervir rigorosamente. O órgão editou uma norma específica (Provimento nº 225/26) para monitorar de perto as decisões judiciais que determinam a retirada de protestos das consultas públicas, tentando barrar o avanço da fraude que ameaça a segurança jurídica do mercado.
Para os especialistas, o sumiço dessas informações encarece o crédito para todo mundo, já que os bancos aumentam os juros para cobrir o risco de calote mascarado.
